quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Trancado no quarto

Eu saio, eu chego
Eu fujo, eu entro
Ela vem, surge e me acompanha
Na calada, companheira
Sorrateira, tem lugar cativo
Melancolia...
Melancolia é bebida que mata a sede e embriaga
Melancolia é tristeza que preenche e habita
Melancolia é resposta à dúvidas essenciais
Melancolia é a chegada da longa partida
Melancolia é parceira de boemia
Melancolia é adoecer por completo
Melancolia é presente num futuro passado
Melancolia é bipolaridade dos fortes personagens pensantes
Melancolia é matéria em meio a solidão
Melancolia é certeza perante tanta desilusão
Melancolia é fruto de inescrupulosos destrutivos
Melancolia é por causa de tantos
Melancolia é cruel, falsa e ainda assim grande amiga
Melancolia é algo no qual se acredita
Melancolia é filosofia de existência sofrida
Melancolia é a minha vida
Que assim seja enquanto dure.


DINHO BRITO

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Verbos

Estar em algum lugar
Está ficando longe
Estando numa incógnita
Esteja em meus braços

Fazendo despertos carinhos
Faça brotar flores
Fazer a junção dos olhares
Feito em um dia amanhecer

Ser suave como a brisa
Sendo forte como o Sol
Será maravilhado o peito meu
Seja clarão no breu

Agarrando em meus cabelos
Agarrar ao meu lamento
Agarrar a minha certeza
Agarro o seu sentido

Ouvir minha voz
Ouvindo minha musica
Ouço a pressão da corrente
Ouça desferindo aceitação

Canto pelo calor intenso
Cantando a vida em festa
Cantar veredas em campos
Cante a canção do coração

Queira um estrela sem brilho
Querendo lascas de sua purpurina
Querer ser um imortal
Quero você na caminhada

Viva a vida desta pessoa
Vivendo sem perigo num abraço
Vivo com o encantamento
Viver sem morrer esperando aviões...


DINHO BRITO

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Mar de disfarces

Em noites adentro de solidão
Tento disfarçar meu desespero
Ponho meu terno mais bonito
E me lembro daquele seu vestido
Que ficou marcado por minhas mãos

Ao pensar nisso me sinto enjaular
Sem cuidados numa cela, resolvo sair
Vou em busca de um samba antigo
Na boemia meu corpo desfila em ruas
E continuo só, com copos na mesa

Pássaro com asas quebradas
Agonizo longe do ninho
E o luar hipnotiza, tentando me salvar
Me deixando dormente, me faz levantar
Mas o brio continua perdido
E a cabeça mantém-se baixa

Desfiro minha energia para voltar
Voltar ao meu lar que não é porto seguro
No meu aposento sou tocado pelo vírus que lá está
Regresso a ser o doente contagioso
E o rosto, novamente, fica rubro

Ainda tenho um gota no peito
Que confunde-se com as que caem do meu rosto
Fecho os olhos para evitar a inundação
Pode ser que eu naufrague
Melhor mascarar o vazio
E percebi que por isso sempre passei
E nunca aprendi a nadar.


DINHO BRITO

Acasos e certezas

Ao te conhecer percebi que já te conhecia;
Pouco importou se a noite era quente ou fria;
Marcante foi toda a magia
De um beijo que me tirou do chão...

Sabe que juntos perdemos a noção da hora
E colocamos nossos sentimentos pra fora
Num abraço que sempre demora
E faz o mundo parar entorno de nós...

Selamos nosso elo num momento mais que singular;
No princípio, sempre iluminados com a luz do luar,
Com as estrelas no céu a nos admirar;
Tamanha perfeição no encaixe de nossas almas...

Nossas vidas tão distantes encurtam os caminhos;
Frutos de acasos, deixamos de ser sozinhos
E não conseguimos resistir a troca de carinhos
Onde passamos a ser um do outro...

Nos encontramos em noites adentro no nosso jeito
Mas, foi numa noite em que me vi refeito;
Quando acordei com você deitada no o meu peito
Onde encontrou abrigo, certeza e proteção...

Me liguei tão intensamente ao teu ser
Que, tão rapidamente pude perceber;
O sentimento que vai muito além do querer
E aperta o coração na tua ausência...

Hoje faço planos para um grande futuro
Com aquela que ilumina o meu escuro
E me faz com convicção, dizer que juro
O meu amor, daquela que sou.


DINHO BRITO

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Enquadrado

Observo seu retrato em minha tela;
Parece ser real, tamanha perfeição;
Me perco na magia do teu olhar;
Me seduz a cor dos seus cabelos;
Me entorpeço com o perfume do seu corpo...

Um imagem tão bela parece saltar de esquadros;
Na minha imaginação sinto o toque de suas mãos;
Mansidão da voz que adentra meus ouvidos,
Num fluxo imenso de certezas e sensações...

Ah, se soubesse a falta que me faz,
Saltava de dentro desta moldura
E sentia meus braços em torno do seu corpo,
Com o calor de um peito aberto e entregue...

Se estivesse perto deste que te quer,
Absorveria a essência da força deste coração;
Que bate apressado, apertado por você;
Num amor incalculável e verdadeiro...

É dolorosa a distância entre dois pontos;
Disfarço meu desespero com um sorriso,
E continuo a olhar seu retrato pelas noites,
Mas de olhos abertos percebo também a solidão...

E disso você entende bem, me conheçe como ninguém...

Você existe,
Mas aqui não está...

Você quer,
Mas aqui não está...

Você ama,
Mas aqui não está...

Não está do jeito que gostaríamos...
Você não está aqui.


DINHO BRITO